terça-feira, 13 de novembro de 2007

Sinto me......

Remexer no passado é quase como nadar em seco.
Não gosto de remexer no passado, mas há marés na vida em que temos mesmo de o enfrentar, quanto mais não seja porque o passado é o único mapa que temos disponível para nos situarmos. O amanhã? O amanhã pode ser brisa ou tempestade. O futuro é o hoje e o agora; aquilo que se constrói neste momento.
Sempre dei as braçadas e os passos que achei serem os correctos num determinado contexto, por isso, raramente me arrependo do que “ficou para trás”.
Eras aquilo que eu julgava que fosses: o namorado perfeito. Calmo, inteligente, certinho, trabalhador e mais uns quantos atributos que eu tinha como suficientes para construir a minha arca de Noé. Escolhemos a casa, a data do casamento, o sitío onde viver, como passar os fins de semana, etc.. É verdade que eu tinha um namoro que, aos olhos de quem estava de fora, era o namoro ideal: um namorado gentil que me fazia todas as vontades. O que quem estava de fora não sabia era que tu próprio não tinhas uma vontade e por isso era-te mais fácil deixares-te guiar. Assim, se as coisas algum dia dessem para o torto, como acabou por acontecer, sempre podias lavar dali as tuas mãos (que foi, aliás, o que virias a fazer). E o que quem estava de fora também não sabia era que eu poderia parecer ter tudo para ser feliz mas que, afinal, não tinha nada porque me faltava o básico: o teu esforço .
Quando se rema apenas para um lado, começa-se a andar em círculos e não se sai do mesmo sítio. E então, só nos restam duas alternativas: ou desistimos de remar e nos deixamos ir à deriva ou abandonamos o barco.
Eu continuo perto do mar. De vez em quando, a maré traz-me destroços do passado e também alguns troncos ocos que eu vou aproveitando para construir a minha canoa.

Um comentário:

索菲娅 disse...

Lamento por ti, mas ânimo, há sempre mais marés que marinheiros!! bjinhos